O Inimigo Mora ao Lado

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"Se um grifo não consegue se destacar no jogo, um gato não vai conseguir"

-jogador de um personagem cavaleiros dos céus, sobre o comentário do Mestre de que o gato da maga não estava tendo muito destaque nos jogos


Por Zell
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O Inimigo Mora ao Lado

Quando o Mestre pensa nos inimigos que irá criar para os PJs, costuma pensar em um NPC com características chamativas, uma organização com uma hierarquia complexa, ou mesmo em objetivos bem definidos.

Aliado a isto tudo, podemos pensar em fazer do inimigo alguém próximo ao PJ ou aos PJs.


Digamos que o objetivo do inimigo do grupo de PJs seja matar o rei, pois o monarca ordenou que incendiassem o vilarejo onde morava a família deste inimigo. Temos um vilão interessante, com metas bem definidas e um background elaborado. Como está, já se tornaria um inimigo interessante para os personagens dos jogadores confrontarem (ainda mais e acrescentarmos uma aparência única, um sotaque, maneira de agir, etc.).

Mas a disputa do grupo com esse inimigo certamente seria mais interessante se ele fosse, digamos, o irmão de um dos PJs.

Matar uma pessoa não é fácil, matar um inimigo que quer cometer um assassinato, mas tem justificativa para isso, é ainda mais difícil. E quando esse inimigo é seu irmão então!

Imagine a carga dramática a se acrescentar se o grupo realiza missões e serve esse rei, tendo ordens claras de caçar o assassino em potencial. Ou ainda se em aventuras adiante descobrem que o incêndio ao vilarejo não foi um caso isolado, mas muitas das atrocidades que o rei ordenou que seus servos cumprissem. Pior ainda, se foi um ato isolado, baseado em informações equivocadas que os servos do rei passaram, e ele ainda hoje tem pesadelos com isso, portanto se arrependeu.


Enfim, tudo isso que trouxe é para acrescentarmos a tudo que já sabemos sobre como construir inimigos interessantes, mas que pode ser maximizado se o inimigo for alguém próximo.

Afinal, quem disse que é fácil atirar na sua esposa, só porque agora ela é um zumbi? (walking dead feelings!).



Mestre e pupilo

Ter o irmão, filho, pai, tio, irmã, etc, como inimigo é por si só algo difícil. Mas podemos pensar também em outro clássico: mestre e pupilo.

Imagine a dificuldade de pensar que você tem que caçar, ou fugir, do indivíduo que o ensinou tudo de importante em sua vida, é, digamos, cuspir no prato que comeu. Além disso, o vilão estará sempre um passo a frente, afinal ele conhece os poderes e a forma de agir do seu pupilo.

Motivos para aprendiz e seu tutor estarem em lados opostos podem ser muitos: o pupilo se deixou seduzir pelo poder fácil, esquecendo-se que “grandes poderes exigem grandes responsabilidades”, como o caso do Vingador e Mestre dos Magos de Caverna do Dragão, ou melhor ainda, Anakin e Obi-Wan de Star Wars.

Ou quem sabe os dois estejam envolvidos com uma história que não é muito clara, estando mestre e pupilo apenas em lados opostos, mas não podendo esclarecer tudo facilmente. É mais ou menos o caso de Hyoga e Kamus em Cavaleiros do Zodíaco, quando não se sabe se Saori é mestre Atena, se o Mestre do Santuário é realmente maligno, e cada lado busca descobrir a verdade, sem deixar de cumprir seus deveres, seja servir a suposta Atena, ou proteger sua casa no Santuário.



Ídolo e Admirador

Esse é outro meio interessante de contrapor mestre e aprendiz, mas com uma peculiaridade: eles não necessariamente se conhecem ou se relacionaram.

Pense no game Final Fantasy VII, e como Sephiroth é uma lenda entre os soldiers, combatentes de elite. Cloud o vê como o soldier exemplar que sempre foi, e ouve histórias que confirmam isso, porém ao longa da história vai descobrindo que o herói renomado corrompeu-se. Terá de enfrentar aquele que é seu ídolo?

Um Personagem do Jogador pode ter um NPC famoso do mundo como ídolo, seguindo seus passos, querendo se tornar como ele ou tê-lo como aprendiz. Imagine o impacto que terá ao descobrir que há muito de fama neste personagem, que na verdade não é tão bondoso ou poderosos assim, tendo feitos muitos atos que o próprio PJ repudia.

Pode chegar o dia em que esse outrora ídolo precise ser combatido por aquele que um dia fora seu admirador. Conseguirá ele levantar punhos e armas contra seu ídolo? Não perca no próximo episódio (sim, me empolguei!).


Organizações também servem

Por fim, podemos pensar também na proximidade com o inimigo fazendo deste uma organização importante para um ou mais personagens jogadores.

Acusar a organização da qual fez parte de crimes contra a coroa, ou conspiração para trair o rei, certamente não será fácil.

Possivelmente, não fosse a influência sagaz e paciente de Darth Sidious (enquanto Palpatine), e Anakin não teria simplesmente ido contra a Ordem Jedi, e matado padawans. Somente porque estava com a mente confusa com o medo de perder a amada, a impressão de que seu mestre o reprovava, é que levou o cavaleiro jedi a atitudes tão extremas contra à organização que desde pequeno sonhara participar.

Novamente, o Mestre pode elaborar um “balde de água fria” de realidade sobre os PJs, fazendo com que a organização que sempre quiseram entrar e admiraram não seja aquele poço de bondade todo, tendo mais renome. É mais ou menos o que acontece em Full Metal Alchemist, quando os episódios vão mostrando que os alquimistas licenciados atuam em guerras e participam de muitas missões de moralidade questionável.



Enfim, compartilhem suas opiniões e impressões, e se já abordaram essas questões em seus jogos.




sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Juramentos

Qualquer gênero ou estilo de jogo apreciado por seu grupo, certamente existem organizações e o papel delas é fundamental para dar cor ao cenário. De facções criminosas a ordens religiosas, passando por grupos de cavaleiros, militares de sangue quente, ordens monásticas, ou patrulheiros espaciais, cada organização têm suas próprias características, tradições.
E possivelmente um juramento.

Neste post vou dar idéias para criar juramentos interessantes que vão ajudar a dar uma identidade às suas organizações.


Juramento não precisa ser complexo

Primeiramente, quando falo em juramento, englobo também o que seria o lema de uma organização, não precisando ser dito em um ritual ou algo assim.

Se os Patrulheiros do Norte do Game of Thrones tem um juramento clássico, sendo repetido pelos novos membros ao pé da letra e em tom ritualístico, os Três Mosqueteiros tem o simples bordão “um por todos, e todos por um”.

Assim, o juramento não precisa ser longo ou complexo, podendo ser somente o lema do grupo. Porém, acho que fica mais interessante se for parte de como ritual de iniciação, aceitação no grupo, poderia se fazer que só pode ser dito por quem for efetivado na organização.

Outro exemplo de juramento simples, embora seja usado como um bordão, é o “faca na caveira e nada na carteira”, que reflete os ideais do BOPE de atitude e agressividade (a faca na caveira), embora sejam policiais comuns (ou seja, mal pagos; nada na carteira), como o Capitão Nascimento narra no início do primeiro filme.

Só deve-se ter cuidado para não confundir qualquer bordão ou cumprimento como um juramento. O Código Jedi de Star Wars pode ser considerado juramento, passa a idéia da ordem, já o “Que a Força esteja com você” é um cumprimento, um desejo de que a energia poderosa dos jedi esteja junto da pessoa a que está se despedindo. Da mesma forma, o “ahú” dos espartanos do filme 300 é um grito de guerra, no máximo.

Complexo ou não, tem de refletir os ideais da organização

O juramento tem que ter em seu conteúdo idéias e afirmações que tornem evidentes os ideais e objetivos da organização.

Claro que uma organização secreta ou que use de muitos simbolismos (como Illuminatti, ou a Maçonaria) poderia ter um juramento metafórico que não deixa claro o conteúdo a não ser para aqueles que fazem parte, mas no mais não precisa ser assim.

Praticantes da arte marcial Taekwondo, por exemplo, prometem:
“Observar as regras do Taekwondo; Respeitar o instrutor e os meus superiores; Nunca fazer mau uso do Taekwondo”, elementos que refletem orespeito aos mestres e superiores típico de artes marciais orientais de forma geral, além da preocupação em não usar o que se aprende de forma errônea, que também se reflete no prosseguimento, pois a arte marcial não é aprendida par promover brigas ou disputas: “Construir um mundo mais pacífico; Ser um campeão da liberdade e da justiça”.

Citando novamente o Juramento da Patrulha do Norte do Game of Thrones, vamos ver e interpretar:

A noite chega, e agora começa a minha vigia. Não terminará até a minha morte. Não tomarei esposa, não possuirei terras, não gerarei filhos. Não usarei coroas e não conquistarei glórias. Viverei e morrerei no meu posto. Sou a espada na escuridão. Sou o vigilante nas muralhas. Sou o fogo que arde contra o frio, a luz que traz consigo a alvorada, a trombeta que acorda os que dormem, o escudo que defende os reinos dos homens. Dou a minha vida e a minha honra à Patrulha da Noite, por esta noite e por todas as noites que estão para vir.

Veja como o fato dos patrulheiros largaram a vida para cumprir seu papel na patrulha do norte é citado de forma mais poética com “não tomarei esposa, não possuirei terras, não gerarei filhos”. Mas fica evidente em seguida o cerne do juramento e da ordem, aquilo que é o objetivo do patrulheiro, se manter no posto: “Viverei e morrerei no meu posto”.

Mesmo algo mais descompromissado pode ser bem apresentado com um juramento, como o lido pelos garotos desejosos de desregramento no filme Sociedade dos Poetas Mortos.


Juramentos podem estar no dia-a-dia

Além de usados em organizações, juramento podem ser usados no cotidiano, com meio de enriquecer a sociedade de um jogo.

Pense nas palavras proferidas pelos noivos durante um casamento, nada mais são que um juramento:

Prometo amá-la e respeitá-la, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte nos separe.

Assim, o Mestre e jogadores poderiam criar juramentos para outros “rituais de passagem” não ligados a organizações, como batismos Bodas de Ouro, Festa de Debutantes (é um ritual de iniciação, da menina que vira moça), e outros do tipo.

Ou mesmo juramento de profissões, que embora sejam similar a uma organização, podem refletir o ideal de um grupo de profissionais, sua preocupação com a moral por exemplo. É o caso do juramento feito por professores, médicos e advogados antes de receberem a colação de grau.
Assim, juramentos do cotidiano refletiriam melhor uma sociedade, uma cultura. É o caso do chamado Juramento Ateniense, em que jovens que se tornavam adultos proferiam em público:

Não causaremos desgraças a nossa Cidade por atos de desonestidade ou covardia.
Lutaremos individual e coletivamente pelos ideais e tradições da Cidade.

Prestaremos reverência e obediências às leis da Cidade e envidaremos os melhores esforços para que nossos superiores - que podem modificá-las ou anulá-las - as respeitem também.
Lutaremos para incentivar o povo a desenvolver uma cultura cívica.
Através destes procedimentos, legaremos a uma cidade, não apenas igual, mas maior e melhor do que a que nos foi legada.

Vejam como podem ser percebidos elementos da Grécia Antiga no juramento: a valorização da Cidade, da Pólis, e suas leis.
Conclusão

Por fim, deixa outra idéia: e se o grupo de aventureiros (ou caçadores, patrulheiros) dos jogadores tivesse seu próprio juramento, caso seja comum a entrada e saída de novos componentes? Já pensou eles fazendo testes para o novo guerreiro que quer entrar para o grupo, e o jogador deste personagem passando nos testes e tendo a honra de dizer pela segunda vez o juramento?

Daria uma idéia de união ainda maior ao grupo.







sábado, 5 de fevereiro de 2011

Organizações: Companhia Cênica Fantástica

Criada com objetivo de aperfeiçoar as artes cênicas, esta organização visa utilizar-se de pequenos efeitos mágicos e aparelhos de ladinagem para incrementar as apresentações teatrais e de óperas do grupo.

Histórico

Ruldek da Espada Cantante sempre estranhou como seus companheiros e a maioria dos aventureiros do mundo parecia empolgar-se apenas com aventuras, caça a monstros, masmorras e armadilhas. Também adorava tudo isso, em especial matar monstros, já que sua habilidade tornou-se lendária em mais de um reino, rendendo-lhe a alcunha de Espada Cantante, já que a velocidade de seus golpes produziam um ruído constante da espada no ar.

Porém, Ruldek apreciava como poucos chegar em uma grande cidade após uma longa aventura, e deliciar-se em uma refinada apresentação teatral, ou uma excelente ópera. Conhecia os mais requintados teatros e casas de apresentações de seu continente, e enquanto os companheiros gastavam partes dos tesouros adquiridos em aventuras em tavernas, Ruldek preferia empregá-los na compra de entradas para espetáculos, já que muitas vezes eram restritos a nobreza, o que exigia subornos pra lá de exorbitantes.

O único detalhe que Ruldek percebia que seu apreço pela arte da música e representação não se comparava ao que ele via cotidianamente em aventuras, era a falta de efeitos chamativos.

Impressionava-se com boas atuações, diálogos eloquentes, mas por vezes pensava que uma grande entrada ficaria melhor com auxilio de magias que Volden, o mago do grupo, realizava com mais facilidade do que um guerreiro desembainhava uma espada. A cada apresentação imaginava o quanto um simples mecanismo de uma armadilha que dera trabalho para o grupo poderia aperfeiçoar uma cena, o quanto uma magia banal poderia auxiliar em um grande desfecho...

A Companhia Cênica Fantástica foi fundada por Ruldek assim que este se aposentou, e mostrou-se uma idéia inovadora.


Surgimento e popularização da CCF

Empregando todo o dinheiro acumulado em aventuras, apesar do protesto dos antigos companheiros, Ruldek comprou uma companhia teatral quase falida, contratou alguns ladinos aposentados (e ficou feliz que Stenner, velho amigo e companheiro de aventuras aceitou o convite para cooderná-los), e um velho mago que a caduquisse não impediu de exercer um bom trabalho.

A partir de então a Companhia Cênica Fantástica foi crescendo em respeito pelo reino, sendo citada pela inovação e criatividade, bem como pela ousadia exagerada que para os mais conservadores e críticos da arte beirava o absurdo.

Sangue artificial era conseguido sem grande dificuldade graças a frascos habilmente escondidos pelos ladinos, e facilmente quebrados após muito treino. Por muito tempo pensou-se que os atores da peça matavam-se em cena, mas o alvoroço apenas aumentou o interesse pela CCF.

Uma cena, contudo, levou os efeitos da organização ao renome completo. Em uma encenação teatral, presenciada pelo príncipe do reino, o protagonista era puxado por almas penadas de seus antepassados, que queriam condená-lo por desonrar a familia. Com o efeito de uma magia que aumentava a agilidade e tornava o alvo bem mais rapido, o ator conseguiu dar um salto para tras e parecer ter sido realmente sugado pelos figurantes que representavam os espíritos. O público demonstrou em uníssono seu espanto.

Esse efeito foi tamanho, que mesmo a cena em que uma divindade surgia dos céus para ajudar seus paladinos, em uma ópera, com o ator representando estava divindade surgindo realmente voando em cena (na verdade apenas flutuando, graças a uma magia realativamente simples que permite ao usuário planar), naõ teve tanto impacto no público já acostumado aos efeitos, e já admirador da companhia.

Inúmeras outras “artimanhas” (como muitos críticos definem os efeitos da CCF) são utilizadas pelos atores, contra-regras e auxiliares da companhia. Alçapões postos no palco permitem entradas súbitas de atores, jatos de chamas simulam o poder de dragões, cordas magicamente animadas simulam cobras selvagens, magias de altos sons permitem criar ruidos, rugidos e sons fantasmagóricos de muitas criaturas, etc. Até simples magias de iluminação postas nas armas do protagonista e antagonista permitem destacar o embate final no clímax de uma apresentação.

Ruldek, cuja admiração nunca chegou nem perto de ter uma carreira musical, teatral ou de bardo, atualmente preocupa-se mais em inovar as apresentações que encomenda a compositores e autores, do que em administrar os enormes ganhos financeiros que a companhia o trouxe.

Quanto aos antigos companheiros de Roldek, que disseram que o investimento dele era loucura. Bem, não perdem uma apresentação, assistindo no camarote principal dos teatros.