O Inimigo Mora ao Lado

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Bater ou Correr... Morrer é uma escolha ?

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Sistemas: Savage Worlds

Savage Worlds é um sistema que abrange uma gama de possibilidades para os jogadores e o mestre pois o processo de geração de base de personagens é um sistema baseado nas competências e características de cada um, sem classe e progressões de níveis pré-determinadas. Nesse aspecto se assemelha a “Mutantes e Malfeitores” sistema de domínio d20. Só que claro, mais voltada para a parte de Super Heróis e comics. Mas esse é um dos únicos conceitos semelhantes, ao resto se difere. O melhor do sistema é que ele também é reproduzível em qualquer cenário e isso incluí medievais, renascentistas, modernos, futuristas e atuais....

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Livro dos Monstros - Você realmente precisa disso ?

Monstros: Ah sim eles são esplendorosamentes terríveis. Alguns tem escamas, caudas, asas, 3, 4, 100 olhos, habilidades sobrenaturais, psíquicas, controle de elementos e as mais variadas formas distintas que podemos imaginar. Ah sim podemos imaginar, mas realmente precisamos de uma apêndice de monstros com características totalmente definidas com Nível de Desafio estipulado e tudo mais ? Você talvez deva estar pensando que sim, mas....

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"Se um grifo não consegue se destacar no jogo, um gato não vai conseguir"

-jogador de um personagem cavaleiros dos céus, sobre o comentário do Mestre de que o gato da maga não estava tendo muito destaque nos jogos


Por Zell
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sexta-feira, 22 de abril de 2011

Longevidade das raças e impacto em sua visão de mundo

É conhecida a longa vida possuída por muitas raças da fantasia medieval, sobretudo elfos e anões. Mas quanto pensamos acerca do impacto que uma vida longa tem no pensamento e atitudes dos indivíduos?

Nesse post vou abordar alguns pontos a pensarmos, afim de fazer com que viver 200 anos não seja só um detalhe a mais em uma raça.


Relações humanas

Primeiramente, a descrição dos elfos de diversos cenários
e sistema aborda o rótulo de arrogantes tido por estes como devido à sua longa vida e, por isso, desapego a tantas pessoas que por elas passam.

Os elfos apresentam opiniões e sentimentos que duram mais que os tidos por um humano. Se um elfo desconfia de um conhecido, demorará mais que algun s meses de convívio para mudar esse fato, da mesma forma que um uma paixão, mesmo as intensas e passageiras famosas nas canções dos bardos, costumam durar uma ou duas décadas. Um luto de um elfo é um período de reclusão e respeito muito além do costumeiro a outras raças, e se deve não apenas pela idéia de que vivem mais, mas antes disso, pelo tempo que a mente e coração de um elfo demoram para aceitar e superar a dor de uma perda.

Arrisco a dizer, portanto, que essas raças possuem um relógio biológico diferenciado, com seus “ciclos de vida” mais vagarosos, tanto biológicos (demorar mais para envelhecer, morrer), quando psicológicos e sentimentais.

O impacto sentimental e psicológico pode ser pensado em outra raça famosa pela longevidade: os anões.

Uma frase famosa entre a raça exemplifica o impacto da longevidade na formação de opinião e relações, e diz que “a diferença entre um conhecido e um amigo é cerca de cem anos”.

A indiferença dos elfos é a desconfiança dos anões,
e isto devido à valorização da lealdade entre essa raça. Relações de amizade duradouras entre humanos e anões são raras, já que o tempo de um anão vencer a desconfiança, aceitar o valor do outro, e p assar a considerá-lo um amigo (mais que um conhecido), iguala ou supera a vida de um humano.

Assim, uma raça tão apegada à lealdade e amizade (entre família, clã, e mesmo indivíduos), fará sua visão de mundo lidade à longevidade se valer em um longo processo de aceitação de outros como amigos. Exceções conhecidas seriam aventureiros, já que passar por situações difíceis, de vida e de morte, salvando a vida de outros e tendo a sua salva por eles, facilidade a proximidade, e mesmo o mais teimoso anão concordaria com isso.




Fenômenos e catástrofes

Da mesma forma que indivíduos conhecidos ao longo de 100 ou 150 anos são esquecidos, salvo os de grande importância, o mesmo se daria com acontecimentos, sejam benéficos ou maléficos.
Um terremoto que causa algum estrago na capital, seria falado e citado como algo vago e distante, mesmo após poucas décadas, e mesmo que os indivíduos que o vivenciaram ainda estejam vivos e em plena atividade. Claro que os envolvidos diretamente, como pessoas que perderam parentes com o terremoto, ou tiveram sua s residências arruinadas, lembrariam com precisão do fato, mas o mesmo não se daria na sociedade como um todo.
A ameaça de guerra de um reino vizinho, que foi assunto por 2 anos e gerou preparativos frequentes e um clima de guerra iminente em todos os habitantes, seria relegado a segundo plano diante de guerras que realmente ocorreram.



Tradição e status quo

Um ponto que me parece razoável de se pensar é que culturas cuja duração de vida é consideravelmente maior, certos valores ou costum
es devem ter grande importância, por serem preservados por gerações que perduram.

Imagine que uma cultura valorize a sobresaliência do homem diante da mulher, tendo uma organização de patriarcado. Um indivíduo criado nesses moldes que tem uma expectativa de 40-50 anos manterá esses valores fixos e imutáveis por esse periodo, e mesmos que as gerações posteriores sejam menos arraigadas a esses valores (sendo um pouco mais aberto à participação da mulher no governo, digamos), não a mudarão radicalmente após períodos longos de permanência.

E então pessoas cuja expectativa de vida é de 200 anos. Indivíduos conservadores (os que governam, sobretudo), farão o possível para manter es ses valores que julgam adequados, e isso por mais de um século.

O mesmo podemos pensar no governo de forma geral.

Um rei cujo reinado dura 120 anos, manterá uma organização, leis e a política de forma geral sem grandes alterações nesse período (a menos que guerras, revoltas ou outras situações o exijam). Imagine reis egocentricos que promovem medidas de gos to pessoal, e o impacto que essas medidas teriam na sociedade ao manterem-se por um longo período.

Contudo, imagine a dificudlade de se implementar mudanças radicais em sociedades em que gerações possuem uma longa duração. Se o faraó Amenófis IV do Egito já teve dificuldade em implementar o monoteísmo nesta cultura tão religiosa e políteísta, imagina se a vida e a visão de mundo dos egípcios fossem mais longas. De forma parecida, o rei Henrique VIII teria o apoio da nobreza para implementar a religião anglicana se t
radição da sociedade inglesa viessem de indivíduos tivessem também a citada diferença?


E estas foram algumas idéias de um tema que acho muito vas
to.

Espero que gostem!




domingo, 10 de abril de 2011

Preconceito racial em mundos fantásticos

Elfos e anões não se entendem, humanos são uma raça impulsiva e frívola, muitos são os tradicionais preconceitos raciais em mundos de fantasia (sobretudo medieval), mas o quanto isso é trabalhado em nossas campanhas?

Pensando em refletir melhor sobre os preconceitos raciais, e como torná-lo mais que os xingamentos e empulhações clichês entre os Personagens dos Jogadores, vou trabalhar nesse post meios de utilizar o preconceito como meio de enriquecer os mundos de jogo.

Construa uma lógica própria

Ainda que o preconceito grande parte das vezes não tenha fundamento algum, aqueles mais fortes e difundidos possuem alguma motivação mais ou menos concreta. Vejam bem que não estou dizendo que alguns tipos de preconceito estão certos, mas que alguns possuem uma lógica própria, por mais corrompida e absurda que seja.

Assim, elfos não gostarem de humanos “porque são humanos” fica vazio, fraco de compreensão. Em um possível debate entre membros das duas raças, esse tipo de preconceito pelo preconceito não teria muita sustentação, enquanto não gostar de humanos “por serem impulsivos”, “por não valorizarem a natureza”, etc., torna o preconceito mais plausível dentro da lógica dos élficos.

Em outra palavras criar elementos em que a raça que desagrada uma outra seria uma justificativa para o preconceito, um motivo que para aqueles que desprezam a outra raça, são suficientes para exemplificar o quão inferiores são. E penso que uma boa base seja um motivo comportamental de cada raça, indicando a personalidade e como se comportam.

Anões são rudes e mal-educados denota o tipo comportamental da raça, e por mais que pareça uma constatação simples, poderia sustentar toda uma lógica preconceituosa por parte de elfos (e mesmo de humanos), que regada durante séculos, faria o ódio entre as raças ser imenso, inquestionável, e algo até comum. Poderia se dizer que é natural desprezar anões, considerá-los inferiores, e por mais que a maioria da população não pensasse muito sobre os reais motivos disso (e provavelmente mantenha-se fechada à reflexão acerca do assunto), índividuos mais intelectualizados sustentariam esse desprezo com a lógica própria proveniente de gerações e gerações de preconceito.


Como mostrar o preconceito

O ponto mais interessante de pensar no preconceito racial em mundos de fantasia, é imaginar como que o Mestre pode mostrar a existência do preconceito em seu mundo, e como os jogadores podem fazer o mesmo com seus respectivos personagens.

Em uma de minhas campanhas, certa vez um dos PJs elfos procurava um pedaço de carvalho élfico para forjar um arco para si, e ao encontrá-lo na propriedade de um elfo, citou o motivo de desejar a madeira, ao que ele questionou se o arco que o PJ trazia não era bom o suficiente. O PJ respondeu “esse é muito humano”, e não sei porque, mas a resposta vazia me pareceu um resumo do preconceito racial que costumo ver na maioria dos jogos.

Citei com o jogador, posteriormente, que se o personagem dele fosse ser preconceituoso (e o é bastante), seria bom ter uma base, digamos dizer “esse arco não leva as flechas tão longe quanto gostaria” ou “a estética dele é muito rústica”, algo assim. Ser um objeto humano parecia torná-lo automaticamente inferior, sem motivos mais concretos.

Penso que elfos poderiam desprezar humanos pelos motivos comportamentais já sugeridos (impulsividade da raça, descuido com a natureza), bem como pelo curto tempo de vida, que os faria não ter tempo para pensar e refletir sobre seus problemas, cometendo muitos erros e não sendo impaciente. Assim, o elfo do grupo poderia mostrar seu desagrado quanto os humanos do grupo decidem atacar a base inimiga sem muito preparo, citando as vantagens de se ter paciência e planejar com maior cuidado.

Mas indo além, o preconceito se mostra mais evidente, ao meu ver, em elementos que não são tão ligados ao tipo comportalmental de cada raça. Um elfo não gostaria de humanos pelo já citado, mas mostraria esse desprezo ao não gostar da arte rústica humana, tanto em obras de arte como pinturas e esculturas, ou estilo arquitetônico, quanto pela maneira com que se vestem, “mais parecendo ter jogado um pedaço de tecido velho sobre o corpo do que escolhido uma veste bela e confortável”.

Da mesma forma, um anão não gostaria de humanos pelo desapego destes últimos à lealdade familiar (tão valorizado na raça anã), mas isso ficaria visível em jogo sempre que o anão reclamasse do guerreiro e líder do gru

po ainda não ter visitado o pai dele (“e o que importa que ele mora em um reino distante, é seu pai!”), ou mesmo pela desvalorização do guerreiro humano por detalhamento de armas, não vendo tanta diferença entre a espada que comprou na feira e a tão bem falada espada que o anão disse ser tão bem afiada. “Armas são armas”, diz o humano, e o anão reclama do quanto ele não percebe que leva um pedaço de ferro bruto nas mãos.

Outras situações e cenas podem ser pensadas.

Digamos que o nobre elfo que os personagens foram avisar sobre um perigo iminente não mostra-se tão agradecido quanto imaginavam, e em verdade ignora comentários de qualquer membro do grupo, com exceção do guerreiro elfo. Ou qualquer palavra dita em outro idioma que não o élfico, e claro que o diplomata e nobre sabe outros idiomas, mas quem disse que ele quer utilizar “línguas bárbaras”?

Religião pode ser outro elemento para evidenciar preconceito, citando-se a superioridade de um deus racial, ou a maior quantidade de devotos que ele possui, e “uma religião que tem como local sagrado as casas dos devotos só demonstra a inferioridade de sua raça, pois um deus deve ter um local próprio e grandioso de adoração, co

mo o grande templo de Vendérienn!”


Outras considerações

Claro que deve-se ter cuidado de não querer achar que um conflito de opiniões é um preconceito racial. Um anão que acha que o humano é muito desapegado a família está longe de ter preconceito por toda a raça humana, mas possivelmente esse detalhe está embasado em um preconceito comportamental vindo de gerações.

Assim, ao meu ver, a grosso modo preconceitos raciais surgiriam da distinção e diferenciação entre os tipos comportamentais de cada raça, mas levariam ao desprezo por tudo que remete a determinada raça, sendo estes elementos mais cotidianos em que o preconceito se mostraria evidente.

Humanos seriam desprezados por elfos pela impulsividade com que agem, mas o desprezo se mostraria pela arte e música humana, digamos, que demonstraria a falta de paciência e impulsividade como um todo. Ao menos diriam os elfos.

A idéia de que os halflings são pacatos e acomodados faria muitas raças deprezar um aventureiro e herói desta raça, não acreditando que ele é mesmo capaz de proezas grandiosas. A cada vez que o ladino halfling do grupo falasse que poderia invadir a base inimiga sozinho e abrir os portões para o grupo, o anão mostraria não acreditar que ele conseguiria aguentar o medo de aproximar-se tanto do inimigo, e o elfo acharia que o pequeno quer apenas mostrar-se útil, mas que não teria noção do perigo em que eseria se metendo.

A idéia de que orcs são rudes e grosseiros fariam quase todos não gostarem de um bardo orc, ficando já de “má-vontade” para com suas músicas mesmo antes de ouví-las (o que digamos, poderia dificultar as rolagens do jogador deste personagem).

Afinal, preconceito denota formar uma opinião, um conceito, antes de conhecer de fato. É um “pré-conceito”.